Faz tempo que não escrevo aqui, mas posso garantir, que a postagem anterior, das piranhas, continua tão atual quanto no dia em que a escrevi. Então ela continua valendo.
Esse olhão vermelho, e os dentões dão clara impressão de crueldade. Mas são apenas animais, que agem por instinto, e por isso não tem culpa. O ser humano, por outro lado, é racional, mas tem o inacreditável dom de copiar o que há de pior na natureza.Já pesquei no Pantanal, em rios infestados de piranhas, e vi como elas agem. Quando a gente fisga o peixe, tem que tirar rápido da água. Quanto menos tempo se gasta com a briga, melhor. É gostoso ver o peixe lutar, resistir, enfrentar o pescador até ficar cansado e finalmente se entregar.
Mas pra quem pratica o pesque e solte, não é conveniente. Isso porque, quando a intenção não é matar a presa pra comer, melhor livrá-lo das piranhas. Elas o atacam em seu momento de fragilidade. Enquanto ele está preso no anzol, concentrado em tentar fugir, elas se aproveitam para tentar matá-lo e comê-lo. Não é raro tirar o peixe da água cheio de mordidas pelo corpo. Em alguns casos, nem é conveniente devolvê-lo ao rio, porque a morte vai ser certa.
Nem tão raramente assim o ser humano se assemelha às piranhas. Sobretudo nos ambientes competitivos de trabalho. Não há companheirismo, nem solidariedade. Basta você demonstrar algum tipo de fragilidade para que alguém faça como elas, e se aproveite disso pra tentar se dar bem.
Não pense que estou escrevendo porque vivo ess a experiência nesse momento. Não estou, não. Só fiz uma constatação ao perceber que acontece com gente que gosto, e que, quando abre o coração por pura bondade, vê as piranhas ao lado partirem com tudo às dentadas.
Quem acha que piranha é mulher promíscua, não conhecem as piranhas de verdade.
Um dia já tive outro blog, falecido, mas que ainda é uma gaveta empoeirada de pensamentos interessantes. Pelo menos pra mim. Lá me defini como um LAGARTO.Mas sou mais que isso. Sou também um criador nato. Duvido que exista no mundo alguém com a cabeça mais viajante e/ou criativa que eu. Pode ter muita gente igual, não mais. Todos os dias tenho ideias que podem mudar o mundo, ou simplesmente dar uma melhorada na minha própria vida. Esses pensamentos e criações aparecem tanto que às vezes, como hoje, me tiram o sono. E não adianta deitar. O corpo frita como um bife na cama, de um lado e de outro, e nada de apagar enquanto todo o projeto não for mentalmente concluído.
Só que tem um probleminha: se me considero um grande criador, sei que sou um péssimo executor. Da lista dos piores do mundo, mesmo. Meus inventos, que orgulhariam o Professor Pardal, raramente saem da cabeça. Não vão nem mesmo pro papel.
Mas chegou a hora de mudar isso. Sei que já é a trigésima vez que falo isso, mas agora vai! Hora de se lembrar do livro CEM DIAS ENTRE CÉU E MAR, do Amyr Klink, e entender que somos capazes de qualquer coisa quando temos disciplina, vontade e fé em nós mesmos.
Minhas férias estão aí, e além do descanso e lazer, uma parte do tempo vai ser reservado para um planejamento. Um trabalho necessário para que eu possa realmente cair com tudo na prancheta e colocar as ideias num mínimo de organização pra torná-las, pelo menos, viáveis.
Sim, essa é outra característica das minhas criações. São todas possíveis. Não crio nada utópico. Tudo está bastante calcado na realidade, mas requer trabalho e disciplina, coisa que eu definitivamente ainda não achei onde comprar. Mas se esse produto anda em falta nos mercados que eu frequento, vou ter que produzir a minha própria, que seja artesanal.
Não vou permitir que 2012 seja mais um ano que passe direto no ponto sem que eu suba no bonde da história que eu quero pra mim.
Agora vai!
Tem que ir!.
Minha alma é lavada, desencardida
E quem destratou a sua vida foi você
Desamarrada, desimpedida, desarmada
Voa livre pelo mundo até escurecer
Quando faz frio perto do mar
Quando não há nuvens no céu
Quando sopra o vento terral de manhã
Vale a pena acordar pra ver
Sempre atrasada, sempre iludida
De que vai voltar a vida que você deixou
O tempo, os homens
As marcas de noites e dias mal vividos
Nada disso te perdoou
Rede de surfistas no mar
Ligados por computador
Novas maravilhas pra se admirar
Não me venha com a velha dor
O trem da juventude é veloz
Quando foi olhar já passou
Os trilhos do destino cruzando entre nós
Pela vida, trazendo o novo
Minha alma é lavada, desencardida
E quem destratou a sua vida foi você
Desamarrada, desimpedida, desarmada
Voa livre pelo mundo até escurecer
Quando faz frio perto do mar
Quando não há nuvens no céu
Quando sopra o vento terral de manhã
Vale a pena acordar pra ver
Sempre atrasada, sempre iludida
De que vai voltar a vida que você deixou
O tempo, os homens
As marcas de noites e dias mal vividos
Nada disso te perdoou
Rede de surfistas no mar
Ligados por computador
Novas maravilhas pra se admirar
Não me venha com a velha dor
O trem da juventude é veloz
Quando foi olhar já passou
Os trilhos do destino cruzando entre nós
Pela vida, trazendo o novo
Por isso eu corro demais
Composição: Roberto Carlos / Intérprete: Zélia Duncan
Meu bem qualquer instante
Aumenta a saudade
Que eu sinto de você
Então eu corro demais
Sofro demais, corro demais
Só prá te ver
Meu bem!...
E você ainda me pede
Para não correr assim
Meu bem eu não suporto mais
Você longe de mim
Por isso eu corro demais
Sofro demais, corro demais
Só prá te ver
Meu bem!...
Se você está ao meu lado
Eu só ando devagar
Esqueço até de tudo
Não vejo o tempo passar
Mas se chega a hora
De ir prá casa te levar
Corro prá depressa
Outro dia ver chegar
Então eu corro demais
Sofro demais, corro demais
Só prá te ver
Meu bem!..
Se você vivesse sempre
Ao meu lado eu não teria
Motivo prá correr
E devagar eu andaria
Eu não corria demais
Agora, corro demais
Corro demais
Só prá te ver
Meu bem!...(2x)
Só prá te ver
Meu bem!
Só prá te ver
Meu bem!
Só prá te ver
Meu bem!...
Sou Você
letra: Caetano Veloso / interpretação: Toni Garrido
Mar sob o céu, cidade na luz
Mundo meu, canção que eu compus
Mudou tudo, agora é você
A minha voz que era da amplidão
Do universo, da multidão
Hoje canta só por você
Minha mulher, meu amor, meu lugar
Antes de você chegar
Era tudo saudade
Meu canto mudo no ar
Faz do seu nome hoje o céu da cidade
Lua no mar, estrelas no chão
Aos seus pés, entre as suas mãos
Tudo quer alcançar você
Levanta o sol do meu coração
já não vivo, nem morro em vão
Sou mais eu, porque sou você
Minha mulher, meu amor, meu lugar
Antes de você chegar
Era tudo saudade
Meu canto mudo no ar
Faz do seu nome hoje o céu da cidade
Lua no mar, estrelas no chão
Aos seus pés, entre as suas mãos
Tudo quer alcançar você
Levanta o sol do meu coração
Já não vivo, nem morro em vão
Sou mais eu, porque sou você
Ps: (conheço isso de algum lugar)
♪♫♪ "...Deus por favor apareça, na televisão..."♫♪♫
-Apesar do sofrimento, é aqui que eu vivo de verdade! Antes eu não tinha amigas, hoje, tenho verdadeiras irmãs – comenta dona Gilda, com o sorriso desfalcado dos molares.
Ela sempre resistiu ao transplante. Tinha medo de trocar pâncreas e rins ao mesmo tempo.
- Deve ser um cortão... – imagina ela.
Mas um dia, de tanto falar, a irmã a convenceu a aceitar. Veio a internação, a cirurgia, o período de recuperação. Dona Renilda foi visitá-la, e nem deixou que ela percebesse a pontinha de inveja que sentiu da prima que finalmente se livraria da hemodiálise. Dolores não foi, mas telefonou para desejar uma boa recuperação.
O tempo passou, o corte cicatrizou, mas a vida de Dona Gilda nunca mais voltou a ser normal. Se livrar das viagens de madrugada e do rim mecânico não tiveram o efeito esperado pela família. Agora ela podia comer doces à vontade, beber litros e litros de suco de carambola, seu preferido.
Mas e as amigas?. Certa vez fingiu sentir-se muito mal só para tentar pegar a perua da hemodiálise, mas uma nova paciente já ocupava seu assento. Ela foi entristecendo a cada dia, e para compensar a carência comia cada vez mais. Em seis meses, já havia engordado vinte quilos.
Em uma manhã, a mãe foi chamá-la no quarto, já depois das 11 horas, algo incomum pra quem sempre pulava da cama antes das sete. Mas dona Gilda mal conseguia se mover. Faltava-lhe o ar, os olhos estavam esbugalhados. Foi um corre-corre atrás de socorro. Quando chegou ao hospital, o médico mal teve tempo de constatar que ela tivera um infarto. O problema era o excesso de comida, a gordura, a falta de exercícios, mas principalmente a falta de das viagens com as amigas. O novo pâncreas produz insulina, mas não produz o afeto que ela ganhava das companheiras. O rim que chegou não filtrou a tristeza da falta da rotina de sofrimento. Antes mesmo que as cicatrizes das agulhadas sumissem dos raços dela, o coração parou de bater.

Assistimos a uma morte em capítulos, como numa novela dramática, e demos audiência. Ela foi o rato de laboratório, a experiência viva para nos mostrar onde um caminho errado pode nos levar. Amy não morreu, foi assassinada. Por todos aqueles que assistiram ao seu mórbido espetáculo de vida e revelaram mais interesse nele do que no enorme talento musical dela.



